Índios protestam em Brasília

15 01 2010

Um grupo de  índios de várias etnias está reunido, desde segunda-feira, em Brasília, para se manifestar contra o decreto assinado pelo presidente Lula da Silva, que, segundo eles, reestrutura a Fundação Nacional do Índio (Funai) e acaba extinguindo administrações e postos do órgão que atendiam as demandas das comunidades indígenas. Durante esses cinco dias, eles fecharam a Funai, protestaram em frente ao Ministério da Justiça e, agora, aguardam encontro com o presidente Lula para pedir revogação da medida. Eles querem também que o presidente da fundação, Márcio Meira, seja afastado imediatamente do cargo, pois, como afirmam, ele formulou o documento sem ouvir a opinião dos índios.

Fonte: Correio Braziliense





Índios Kuikuros dominam tesouro

12 01 2010

Uma das 14 etnias existentes no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, Brasil, é a dos índios kuikuros. Há centenas de anos eles seleccionam várias espécies de pequi, com as quais fazem doces sem açúcar (por conta de uma variedade adocicada naturalmente), sopa de castanha e também produzem o óleo (rico em betacaroteno), entre outros produtos. Em resumo: dominam um tesouro genético expresso num pequi gigante, colorido e sem espinho. A comemoração da colheita desse fruto pelos kuikuros é também uma homenagem ao beija-flor, ave que para os índios tem poderes sobrenaturais. Ou seja: agradá-la é uma maneira de evitar doenças nas pessoas e também as pragas das lavouras. Ao final das festividades têm brincadeiras e muita dança. Detalhe: todas as crianças que nascem na aldeia ganham de presente do pai um pomar de pequi. O plantio é feito durante a colheita. Uma curiosidade: como a safra do pequi vai de novembro a dezembro, os kuikuros cuidam de armazenar a fruta de uma maneira, no mínimo, inteligente. Eles cozinham o pequi e colocam a polpa em um cesto feito de taquaras e forrado por folhas. Isso posto, caminham mais de uma hora até chegar “no lugar de armazenagem”: a beira de um lago. Os índios fincam o cesto no fundo da água fria, que embora fermente a polpa, não a estraga. Vem portanto, do pequi, rico em vitamina A, mas também em B, C e outros micronutrientes, um dos principais ingredientes da dieta alimentar dos kuikuros.

Fonte: Globo Amazónia





Risco de genocídio no Brasil

9 01 2010

A Igreja Católica no Brasil alertou para o risco de genocídio que correm os povos indígenas isolados no país. Num abaixo-assinado endereçado ao presidente Lula da Silva, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), um organismo católico vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), afirma que “é intolerável que a sociedade e o Estado Brasileiro compactuem ou se mostrem omissos” diante da “opressão e genocídio expresso em pleno século XXI, que se tem configurado sobre os últimos povos nativos livres em território nacional”. O documento alerta para as condições críticas de sobrevivência dos povos indígenas isolados ou aqueles que recentemente entraram em contacto com os brancos, particularmente no estado de Rondonia, área do oeste do Brasil, na fronteira com a Bolívia. Ali foi recentemente assassinada por um pistoleiro “a última sobrevivente de um povo massacrado”. O documento destaca o perigo que representa para alguns dos 67 grupos indígenas “sem contacto” que ainda vivem no Brasil a construção de barragens na Amazónia, no âmbito do programa para acelerar o crescimento do governo de Lula. O abaixo-assinado denuncia “métodos facínoras com requintes de crueldade”, como o incêndio de aldeias, o derrube de habitações, envenenamento, escravatura e abusos sexuais, execuções sumárias, caçadas humanas e torturas “de todo tipo”. “Para nossa vergonha e espanto, não são factos remotos, mas sim eventos históricos registados nas últimas décadas, quando o Brasil deveria vivenciar o pleno estado democrático de direito”, lamenta o Cimi.

Fonte: Ecclesia





Novas terras indígenas

4 01 2010

Uma área de mais de 50 mil quilómetros quadrados –equivalente a 34 vezes o tamanho da cidade de São Paulo– foi confirmada pelo presidente do Brasil, Lula da Silva, como território indígena.  A maior das nove terras indígenas agora homologadas  é a Trombetas Mapuera, no Estado do Amazonas. Mede quase 40 mil quilômetros quadrados, mais do que o dobro da área da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A segunda menor terra indígena homologada é provavelmente a que mais renderá polêmica. Arroio-Korá fica em Mato Grosso do Sul, em terras disputadas por fazendeiros.  O presidente da Funai, Márcio Meira, não acredita em reação semelhante à dos arrozeiros de Roraima. “Quando o presidente homologa essa área gigantesca de terras indígenas, está dando um sinal de que o Brasil vai cumprir as metas de corte das emissões de gases de efeito estufa, além de reconhecer o direito dos índios”, disse. As nove terras indígenas homologadas ontem têm culturas muito diferentes. Elas abrigam aproximadamente 7.000 indígenas de 29 etnias diferentes. Há povos com quase cinco séculos de contato, como os guarani kaiowá, de Mato Grosso do Sul, assim como grupos isolados identificados na terra Trombetas Mapuera, no Amazonas, ou os zo’és, no Pará. Os zo’és ocupam a segunda maior terra indígena homologada ontem, no município paraense de Óbidos, com 6,2 mil quilômetros quadrados, ou quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo. A população estimada nessa área (178 índios) é menor do que na terra indígena Balaio, que abriga 350 índios de dez etnias diferentes: tukáno, yepamashã, desána, kobéwa, pirá-tapúya, tuyúka, baníwa, baré, kuripáko, tariáno. A Balaio é a terceira maior terra indígena do pacote de ontem. O Brasil detém hoje mais de um milhão de quilômetros quadrados de terras indígenas em diferentes fases de reconhecimento. Isso equivale a 12,5% do território nacional. A homologação por decreto do presidente da República é a penúltima etapa do processo de reconhecimento de um território indígena. Depois da homologação, ocorre o registo em cartório. Segundo levantamento da Funai, ainda existem cerca de 28 mil quilômetros quadrados de terras indígenas pendentes de homologação, além de mais de cem áreas ainda não demarcadas, em estudo ou com restrição de acesso a não índios.

Fonte: 24 Horas News