O julgamento de três homens acusados de matar o líder indígena Guarani, Marcos Veron, de Mato Grosso do Sul, foi suspenso. O julgamento teve início na segunda-feira mas foi suspenso, pois o juiz recusou ouvir os depoimentos dos índios Guarani, testemunhas no caso, em sua própria língua. Os procuradores da República que representam os Guarani abandonaram o julgamento, alegando que as testemunhas Guarani, independentemente de seu conhecimento de português, devem ter o direito de se expressar em Guarani. A recusa em deixar os Guarani falarem em sua própria língua na côrte consiste em violação das leis brasileira e internacional. O procurador público Vladimir Aras afirmou: ‘Em dezessete anos de júri esta é apenas a segunda vez que abandono o plenário… Tribunal do Júri não é lugar para restrição de direitos’. O filho de Marcos Veron, Ládio Veron Cavalheiro, disse: ‘Pela segunda vez, a gente se deslocou de lá para cá (a São Paulo) esperando que esse julgamento acontecesse, mas violaram nosso direito de falarmos nossa própria língua’. Marcos Veron, um líder Guarani Kaiowá muito conhecido e respeitado internacionalmente, foi espancado até a morte em 2003 por pistoleiros que trabalhavam para um fazendeiro local, na frente de seus familiares, após ter conduzido sua comunidade à retomada das terras ancestrais de Takuara, no município de Juti.
Fonte: Survival
