Sangue yanomami devolvido

11 05 2010

Uma proposta de acordo enviada pelo governo brasileiro a cinco centros de pesquisa americanos, em Março, está prestes a resolver uma polémica mundial que começou há mais de quarenta anos entre geneticistas e antropólogos estrangeiros e índios Yanomami. A disputa tem origem em 1967, quando equipas lideradas pelo geneticista James Neel e pelo antropólogo Napoleon Chagnon recolheram milhares de amostras de sangue Yanomami no Brasil e na Venezuela. Em 2000, o jornalista norte-americano Patrick Tierney acusou-os no seu livro “Trevas no Eldorado” de, entre outras coisas, “comprar” o sangue com armas e presentes e conduzir pesquisas sem obter consentimento dos índios. Neel morreu naquele ano sem ter sido investigado. Chagnon foi inocentado pela Associação Americana Antropologia. Além de levantar uma das maiores controvérsias éticas e científicas da antropologia ao redor do mundo, o livro horrorizou os Yanomami ao apontar para a manutenção até hoje de sangue congelado de seus pais e avós em centros de pesquisa. Lideranças Yanomami tentam há anos reaver as amostras para finalizar rituais mortuários, mas os centros inicialmente resistiram a devolvê-las, não só por sua utilidade em pesquisas, como por temores de problemas na Justiça. Sob pressão dos índios, o Ministério Público Federal de Roraima deu início em 2005 a um procedimento administrativo para recuperar as amostras. Foram enviadas cartas a diversas instituições nos EUA, das quais cinco confirmaram ter material biológico Yanomami em seu poder: Universidade do Estado da Pensilvânia (a Penn State), Instituto Nacional do Câncer, Universidade Binghamton, Universidade do Estado de Ohio e Universidade da Califórnia em Irvine. Após anos de consultas, foi feita uma proposta de “Acordo de Transferência de Material” para a devolução das amostras ao Brasil. As universidades, cansadas da polémica, manifestaram-se disposta a ceder.

Fonte: Folha Online





Yanomami inspiram ópera

10 05 2010

 A tradição e costumes dos índios Yanomami é tema da ópera “Amazonas – teatro música em três partes”, que estreou sábado, dia 8, em Munique, na Alemanha. Trata-se de um espetáculo multimédia em três actos que mistura recursos audiovisuais e conceitos científicos modernos.  Os Yanomami são um dos maiores grupos indígenas remanescentes na Amazônia, e vêm há anos denunciando a invasão de suas terras por garimpeiros. A ópera usa a visão de mundo indígena como ponto de partida para contrapor a espiritualidade dos xamãs a uma visão tecnológica-científica do mundo. A ideia, segundo os organizadores, é propor um novo olhar sobre diferentes aspectos da Amazônia – biodiversidade, mudanças climáticas, queimadas e a ameaça à existência dos povos tradicionais.

Fonte: Portal Amazónia





Proibidos de falar língua Guarani

7 05 2010

O julgamento de três homens acusados de matar o líder indígena Guarani, Marcos Veron, de Mato Grosso do Sul, foi suspenso. O julgamento teve início na segunda-feira mas foi suspenso, pois o juiz recusou ouvir os depoimentos dos índios Guarani, testemunhas no caso, em sua própria língua.  Os procuradores da República que representam os Guarani abandonaram o julgamento, alegando que as testemunhas Guarani, independentemente de seu conhecimento de português, devem ter o direito de se expressar em Guarani. A recusa em deixar os Guarani falarem em sua própria língua na côrte consiste em violação das leis brasileira e internacional. O procurador público Vladimir Aras afirmou: ‘Em dezessete anos de júri esta é apenas a segunda vez que abandono o plenário… Tribunal do Júri não é lugar para restrição de direitos’. O filho de Marcos Veron, Ládio Veron Cavalheiro, disse: ‘Pela segunda vez, a gente se deslocou de lá para cá (a São Paulo) esperando que esse julgamento acontecesse, mas violaram nosso direito de falarmos nossa própria língua’. Marcos Veron, um líder Guarani Kaiowá muito conhecido e respeitado internacionalmente, foi espancado até a morte em 2003 por pistoleiros que trabalhavam para um fazendeiro local, na frente de seus familiares, após ter conduzido sua comunidade à retomada das terras ancestrais de Takuara, no município de Juti.

Fonte: Survival