A Terra Indígena Marãiwatsede, no município de São Félix do Araguaia, norte de Mato Grosso, sofre com invasão da pecuária ilegal: cerca de 90% de sua área está ocupada ilegalmente, e a Fundação Nacional do Índio (Funai) já identificou 68 fazendas no território indígena. Um levantamento do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) mostra que a pecuária e a soja já desmataram 45% da mata nativa da TI Marãiwatsede, área habitada pelos índios Xavante. Até mesmo o prefeito de São Félix do Araguaia é dono de uma fazenda dentro da terra indígena. Filemon Gomes Costa Limoeiro (PPS/MT) possui uma fazenda de 250 hectares, onde cria 400 cabeças de gado. O prefeito disse que está recorrendo da decisão da Justiça Federal de Cuiabá que considerou os índios como donos da terra, e disse que vai querer indemnização para sair da área. O grupo JBS-Friboi, a maior empresa de alimentos do mundo, também comprava carne ilegal. A partir de outubro de 2009, quando o frigorífico passou a rastrear sua carne após a pressão de ONGs e do Ministério Público, o grupo retirou da lista de fornecedores 17 propriedades no Mato Grosso. Cinco delas estavam em terras indígenas, inclusive na Marãiwatsede. Sojicultores também ameaçam a região. De acordo com Verena Glass, autora do estudo “Impactos da soja sobre Terras Indígenas no estado do Mato Grosso”, da ONG Repórter Brasil, a produção de soja estimula a degradação, erosão, empobrecimento e desertificação do solo, contaminação de cursos d’água e disseminação das queimadas em terras indígenas. “O branco é o que mais desmata aqui. Todos os anos pedimos para ele parar com a destruição, mas ele diz que a mata é dele e vai derrubar”, queixa-se o cacique Damião Paradzané.
Fonte: Amazónia.org

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