O julgamento de três homens acusados de assassinar o líder indígena Guarani Kaiowá, Marcos Veron, está marcado para recomeçar hoje, dia 21, em São Paulo, Brasil. Marcos Veron, internacionalmente respeitado, foi espancado até a morte em 2003 por pistoleiros que trabalhavam para um fazendeiro local, após ter liderado a retomada da terra ancestral de sua comunidade em Mato Grosso do Sul. Veron disse sobre sua terra, “Isso aqui é minha vida, minha alma. Se você me levar para longe desta terra, você toma minha vida. ” “Sabemos que não vai trazer de volta o nosso pai e cacique Marcos Veron, mas irá devolver a nossa dignidade e ser respeitada como ser-humano, como um povo com sua diferença de viver e de ser”, disse Valdelice Veron, filha de Marcos. Os réus, Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos e Jorge Cristaldo Insabralde, funcionários da fazenda, que tomou as terras da comunidade de Veron, são acusados de homicídio, sequestro e outros crimes. O julgamento estava agendado para começar em Abril do ano passado, mas foi adiado por duas vezes porque o advogado de um dos réus supostamente começou um período psicologico de vinte dias e, em seguida, o juiz recusou a ouvir os depoimentos das testemunhas Guarani em seu próprio idioma. Grande parte das terras dos Guarani foi roubada para dar lugar a fazendas e plantações de soja e cana de açcucar. No ano passado, a gigante empresa de energia Shell firmou um acordo de joint-venture com a empresa de biocombustíveis Cosan, que compra da cana produzida em terras tomadas dos Guarani. Muitos Guarani vivem em condições desumanas em reservas superlotadas, e alguns vivem em acampamentos improvisados na beira das estradas principais. Eles sofrem com taxas alarmantes de violência, desnutrição e suicídio, tal como comprovado por um relatório enviado à ONU pela Survival no ano passado. Comunidades Guarani, frustradas com a longa espera das autoridades para demarcar e proteger as suas terras, função a qual são obrigados a fazer por lei, às vezes, decidem voltar às suas terras ancestrais e reconquistá-las, como no caso da comunidade de Verón. Os líderes indígenas que coordenam as retomadas de suas terras são sistematicamente alvos de pistoleiros, que raramente são levados à justiça.
Fonte: Survival


Pelo amor de DEUS, Presidenta, acabe com essa selvageria (branca) que é usada contra nossos selvagens (indígenas, humanos como qualquer cidadão branco).
Este abuso desafia qualquer meta destinada a uma conjuntura social e suas medidas de eliminar a pobreza e a fome, porque a maior fome é a de justiça. E, JUSTIÇA, Presidenta, não há no Brasil, salvo raríssimas esceções. Ainda voltarei ao assunto, aqui neste blog e em correspondência diretamente dirigida a Vossa Excelência sobre o caso de uma Associação de moradores que está sendo lesada em seus direitos por uma repartição pública estadual aqui em Fortaleza.