ECOS DA SELVA

FOGO!

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por Wank Carmo

Perguntei a um amigo qual a temperatura do fogo de um incêndio, se usássemos um kelvinômetro, e ele me respondeu elegantemente que aproximadamente “3000k”. “E uma câmera D300, registra quantas cores?” E ele elegantemente me respondeu que “teoricamente, milhões de cores.”
Parecem ser perguntas bobas, não é? Mas, não são! Minha duvida persistia porque venho lidando com fogo, estou fotografando fogo na selva, no cerrado, e a temperatura do fogo que fotografo, não meço em Kelvin, mas em centígrados. Isso, a maldade aqui, eu meço em centígrados. Se somar todas as áreas incendiadas que fotografei de 1998 a 2010, daria para queimar todo o Estado de São Paulo e mais muitas coisas. Indaguei de um pesquisador, qual a temperatura da terra – sem estar incendiada -, no auge do calor, no meio do cerrado nu, sob o sol inclemente num período de forte estiagem, e ele me disse que chega a uma temperatura muito alta, acima dos 50 graus. Bem, se o ser humano reclama de 35, 40 graus de calor numa cidade grande,  é porque ele se esquece que o asfalto e concreto armado, juntos, armazenam aproximadamente 70 graus e emitem o calor angustiante, mesmo que ele esteja na sombra. Daí, todos correm para o ar condicionado. Agora vamos nos transportar para o meio de um cerrado, onde o vento acelera a velocidade do fogo e o faz avançar no rumo dos buritizais e das matas ciliares. Esse fogo chegará a uma temperatura exorbitante e quando chegar às matas, a temperatura alcançará 1000 graus. Tá bom? É justamente essa temperatura que vem agredindo os únicos 20 centímetros de nutrientes e microorganismo que estão sob a face da terra. Cave, meça e perceba.  A terra tem um aroma de vidas… Nesses sagrados centímetros, residem as vidas que movimentam a vida na terra. Abaixo disso, só os minerais e nada mais. Estou afirmando com isso que, todo ano, todo mês, toda semana, todo dia, em algum ponto da Amazônia, criminosos acionam 1000 graus sobre a superfície da terra para fazer roça de subsistência pífia, plantar capim para criar boi, matar animais silvestres, destruir cerrados e buritizais para dar lugar ao agronegócio, e, eliminar vestígio de retirada ilegal da madeira. Isso mesmo. Os madeireiros usam falsos agricultores para acampar numa região, retirar a madeira e depois calcinar tudo na calada da noite, após a madeira chegar ao pátio da madeireira. Caros amigos, estou levando este assunto até vocês, porque sempre considerei que a Amazônia seja de todos os brasileiros.Para mostrar que há um ritual criminoso praticado por pessoas que não ficam vermelhas de vergonha, porque esta lhe fugiu há tempo do cerne, mas estão trabalhando com afinco, para que toda nossa biodiversidade futuramente só possa ser observada em museus ou fósseis. Por aqui, estamos em guerra e não permitiremos que a nossa Amazônia adote tonalidades bem explicitadas na escala de cinza criada por Ansel Adams. Vou arrumar minha mochila, porque em algum lugar na selva uma árvore cairá ainda hoje à noite e será transportada as escondidas em alguma próxima noite…

Nota Editor: Tomei a liberdade de reproduzir este texto pela importância da mensagem. Obrigado Wank.

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