Etnias Indígenas de Roraima (Brasil)
A partir da década de 30, com os primeiros contatos dos índios YANOMAMI com os não índios, deu-se início a luta do Povo YANOMAMI contra a extinção. Com a abertura da perimetral norte, na década de 70, morreram aproximadamente mil índios YANOMAMI e, no final da década de 80, quando no garimpo morreram mais de 02 (dois) mil, de várias doenças devido ao contato com os Garimpeiros que iam em busca de OURO na Terra Indígena Yanomami. Extima-se que entre os anos de 87 a 91 havia aproximadamente 40 (quarenta) mil garimpeiros dentro da reserva. Nessa época, o aeroporto de Boa Vista era o segundo mais movimentado a nível de Brasil em número de pousos e decolagem, chegando a registrar 500 (quinhentos) pousos/decolagem por dia.
Há várias histórias clássicas da época em Roraima. Era coisa comum garimpeiro chegar em loja de carros e comprar três carros conversíveis de uma só vez, fechar as portas de boate e tudo ficar por conta dele, fretar avião ou helicóptero, para ele viajar sozinho de volta ao garimpo. Na mesma época, quando a pista era curta, pilotos que voavam até os garimpos, amarravam o avião com uma corda a uma árvore, até ele aumentar a rotação da hélice e, em seguida, cortava-se a corda e o avião decolava. Nos dias de Hoje, os YANOMAMI ainda sofrem com a presença do garimpo, pois existem uns poucos que teimam em voltar à reserva. A FUNAI que é o órgão competente para combater esta invasão pouco tem feito, pois não possui verbas para tal fim. A Operação YANOMAMI tinha a sua eficiência comprometida devido a não manutenção da fiscalização após o término de cada operação. Além deste problema, os YANOMAMI ainda têm que lutar contra as epidemias de malária e tuberculose, as quais eles sempre estão expostos. Em 1998 quando aconteceram as queimadas em Roraima, a área Yanomami também foi atingida e até hoje existem as seqüelas. Os índios do Baixo Mucajaí e Ajarani tiveram suas roças queimadas. Eles foram os que mais sofreram com as conseqüências do fogo. A cultura garimpeira ainda está presente até os dias de hoje, em Roraima. Vê-se isso nas lojas de compra de ouro, nos preços altos e na principal praça de Boa Vista (Centro Cívico), onde existe um monumento ao garimpeiro, uma estátua com aproximadamente 03 (três) metros de altura de um homem com uma “Bateia”, utensílio usado para separar o ouro das “Impurezas”.
– O Povo Yanomami
O Povo YANOMAMI ocupa uma área de floresta tropical na região da fronteira Brasil e Venezuela. No Brasil, eles vivem a noroeste de Roraima e Amazonas, numa extensão contínua de 94.191 km2. Para designar o Povo YANOMAMI foram usadas várias denominações, entre as quais: Waika, Guaika, Xiriana, Xirixana, Xamatari, Pakitai, Parahuri, Guajaribos, Karimé, Yawári. (Migliazza -1972). A língua YANOMAMI é dividida em quatro sub-grupos. Cada um com seus dialetos: Sanumá, Yanam, Yanomam (ou Yãnomamé, ou Yainoma), Yanomamy (ou Yanomamo). Até o final dos anos 80 podia-se dizer que o Povo YANOMAMI constituía o maior grupo indígena, com sua maioria isolada do contato da sociedade envolvente. Tendo, inclusive, grupos arredios, que viviam segundo seus padrões culturais tradicionais. A população YANOMAMI totaliza aproximadamente 24 (vinte e quatro) mil pessoas. No Brasil, estima-se que haja 11 (onze) mil pessoas, sendo que aproximadamente 80% (oitenta porcento) deste total vive em Roraima. As aldeias são geralmente constituídas por uma grande casa coletiva em forma de cone “Yano ou Xapono” que pode chegar a 100 (cem) metros de diâmetro e 10 (dez) metros de altura, onde moram cerca de dez a quinze famílias. Eles vivem basicamente de caça, pesca, coleta de frutas silvestres e agricultura. Suas roças são unifamiliares, onde plantam mandioca, macaxeira, abacaxi, banana, cana de açúcar e outros. Da mandioca é feito o “Beijú”; a banana é consumida de forma natural, assada, cozida ou em forma de mingau; a cana de açúcar é consumida naturalmente ou extraído o caldo. Eles ainda produzem batata doce, cará, taióba, mamão, tabaco, pupunha, algodão, plantas medicinais e “mágicas”. O arco é feito com madeira de pupunha ou bacaba e a corda é feita de curauá. As flechas são feitas de cana de flecha e penas de mutum amarradas com fio de algodão. As pontas podem ser feitas de vários materiais, dependendo do animal a ser abatido. O Povo YANOMAMI é muito alegre, costuma fazer suas festas em época de boa colheita. Saem para caçar e pescar em grupos com rotas diferentes. Caçam macacos, mutuns, veados, anta e outros animais. Ao retornar eles “moqueiam” os animais, que é uma forma de preservar a carne. Em seguida chamam as aldeias vizinhas para participarem das comemorações. Neste período eles cantam, dançam e fazem um tipo de jornal falado “Wayamu”. Estas festas podem durar de três a cinco dias. No ritual de morte, eles colocam o corpo em um jirau e penduram em árvores. Após algum tempo, quando o corpo já se decompôs, eles recolhem os ossos e cremam. Em rituais familiares os parentes misturam um pouco das cinzas ao mingau de banana e tomam. O restante é enterrado no mesmo lugar onde fizeram o fogo. Todos os pertences do morto são queimados, inclusive os tapiris usados por ele para caçar. O “Xamã é o líder espiritual, durante os rituais de cura eles cheiram um pó alucinógeno “Yakoana”, eles acreditam que este pó “abre” a floresta para os “Xapori”, entidades que auxiliam os “Xamãs” nos rituais de cura. As principais peças de artesanatos produzidas por eles, são cestaria, colares, cocares, adorno de braço e brincos de penas. Atualmente vários índios estudam em Boa Vista. A preparação para o futuro é parte de um projeto desenvolvido pelas ONG’S, CCPY e MEVA. A CCPY, mantém algumas escolas de alfabetização na língua materna nas aldeias do Demini, Toototobi e Balawau, sendo que as escolas da MEVA ficam localizadas em Auaris e Missão Palimiú e ainda tem uma em Baixo Mucajaí, esta mantida por outras entidades. No Ajarani já existe problema de alcoolismo entre os YANOMAMI, devido ao acesso fácil pelo que resta da perimetral norte. Nas cidades de Iracema e Caracaraí, eles trocam artesanato e vassouras por bebidas alcoólicas e é freqüente prisões e espancamento de índios daquela região.
– Outras Etnias
Em Roraima, além dos YANOMAMI, existem várias outras etnias. Os índios Makuxi (Maioria), Taurepang, Ingarikó, Wai-wai, Patamona, Wapixana, Waimiri-atroari e Yekuana (Mayongong). Destes povos, somente os Yekuana, vivem na terra indígena YANOMAMI.
Os Makuxi, índios de origem Karib, vivem em várias partes do estado de Roraima, têm aproximadamente 18 mil pessoas e lutam há mais de 20 anos pela demarcação de suas terras. A maior luta deles é pela demarcação da área indígena Raposa/Serra do Sol, que fica localizada a Nordeste do Estado de Roraima.
Os Taurepang, índios de origem Karib, vivem nas proximidades da fronteira com a Venezuela na T. I. São Marcos, e têm aproximadamente mil pessoas. Eles mantêm contato permanente com os índios Pemon da Venezuela, com os quais possuem uma intensa relação comercial.
Os Ingarikó, índios de origem Karib, vivem no extremo norte de Roraima, nas fronteiras com a Venezuela e Guiana, têm aproximadamente mil pessoas e vivem em estado semi-isolado. Eles se auto denominam KAPON “Gente do céu”.
Wai-wai, índios de origem Karib, que vivem ao sul do estado de Roraima, divisa com o estado do Pará, têm aproximadamente 500 pessoas e praticam o “matriarcado”, levando a crer na lenda das antigas “Guerreiras Amazonas”.
>Wapixana, índios de origem Arawak, vivem a norte e leste de Roraima, divisa com Guiana. Têm aproximadamente 8 mil pessoas, eles mantêm viva sua cultura através de suas danças e suas comidas.
Waimiri-atroari, índios de origem Karib, vivem ao sul de Roraima divisa com o Amazonas. Têm aproximadamente 830 pessoas, eles ficaram conhecidos internacionalmente pelos conflitos na abertura da BR 174, que liga Manaus a Boa Vista.
Yekuana ou Mayongong, índios de origem Karib, vivem a noroeste de Roraima divisa com a Venezuela dentro da área YANOMAMI. Têm aproximadamente 500 pessoas e são conhecidos pelo seu belo artesanato.
Além destas etnias, existem ainda os índios Patamonas e os Carafauianas que têm pouco contato com os não índios “Brancos”. Eles vivem juntos com os índios Wai-wai, no sul do estado de Roraima, e lutam pela demarcação de suas terras “Trobetas/Mapuera”. As comunidades indígenas em Roraima, têm grande influência na formação de seu povo e sua cultura, pois aqui, existe uma grande interação entre esses povos e os não índios, a única etnia que não tem muito contato e possui pouca influência dos não índios são os índios Yanomami, estimados em total de 9.000 pessoas e que vivem na floresta amazônica na fronteira com a Venezuela e o Estado do Amazonas, nesta área que foi criado em 1991, porém não homologado o Parque Indígena Yanomami com uma área de 95.000 Km2. Os demais convivem pacificamente com os não índios à várias décadas, entre as comunidade indígenas as que mais se destacam quanto ao contingente populacional e organização são: Macuxi que têm população estimada em 11.598 pessoas estes vivem organizados em malocas onde cada uma tem um tuxaua – espécie de organizador e administrador, a grande maioria das malocas Macuxi são supridas de escolas, os índios Macuxi vivem na região de lavrado e, tem grande identificação com a pecuária, outro grupo são os Tauperang que vivem na fronteira do Brasil com a Venezuela, este grupo se destaca pelo conhecimento de comercialização. Existe ainda em Roraima os Ingarikó – localizados nas proximidades da Serra do Sol, são considerados índios bravos. Uma tribo que merece destaque é os Wapixana, localizados em uma região de lavrado que atingi os municípios de Amajari, Normandia, Bonfim e Pacaraima, a comunidade Wapixana tem grande interação com os Macuxi. Deve-se destacar, ainda, os Waimiri/Atroari que habitam a zona de fronteira entre Roraima e o Amazonas, a rodovia BR-174 passa tanto na reserva indígena dos Waimiri/Atroari como nas reservas de São Marcos e Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima, onde é possível verificar na estrada várias malocas, em Roraima ainda existem os índios: Maiongong, e Wai/Wai. São muitas as semelhanças entre os índios de Roraima e o povo asiático, isto tem sido motivo de muitos estudos e expedições buscando a comprovação de relação desse povo com os primeiros habitantes da América.
Fonte:IBAMA
Assassinados no Brasil
Pelo menos 53 indígenas foram assassinados em nove estados do Brasil durante o ano de 2008, segundo levantamento preliminar do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Apenas no Mato Grosso do Sul foram 40 casos. Neste estado também se registrou 34 suicídios de indígenas, um crescimento de mais 50% em relação a 2007, quando foram registrados 22 casos.
Em comparação com 2007, quando foram registrados 92 assassinatos de indígenas, o número de casos identificados em 2008 é cerca de 40% menor. No Mato Grosso do Sul, o número de assassinatos registrados em 2008 (40) é quase 10% menor que o número de casos de 2007 (53).
Em maio, o Cimi divulgará o Relatório com dados sobre as violações dos direitos indígenas em 2008. O relatório trará números sobre ameaças, tentativas de assassinato, mortes por desassistência (suicídio, falta de atendimento médico…), invasões de terras indígenas, entre outros. O levantamento é baseado em informações de comunidades indígenas e no acompanhamento de jornais de todo o país.
O Cimi segue alertando para a grave situação do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Entre assassinatos e suicídios, foram 74 casos em 2008 e 75 casos em 2007, numa população de cerca de 40 mil pessoas. A falta de terra e o confinamento em pequenas aldeias são as principais razões, na avaliação do Cimi, para a constante ameaça à sobrevivência física e cultural deste povo. Há anos, o Cimi e diversos indigenistas alertam que os Guarani Kaiowá são vítimas de genocídio.
Em 2008, os políticos de Mato Grosso do Sul e os latifundiários do estado
fizeram forte pressão contra o início de estudos antropológicos para
identificação de terras para os Guarani Kaiowá. O Governo Federal tem cedido à parte das pressões, o que retarda o andamento dos estudos.
O segundo estado com o maior número de registros foi Minas Gerais, com 4 indígenas assassinados, dentre estes, um apoiador campanha que reelegeu José Nunes de Oliveira, do povo Xakriabá, para prefeito de São João das Missões.
Também no contexto eleitoral foi assassinado Mozeni Araújo de Sá, liderança do povo Truká, candidato a vereador em Cabrobó (Pernambuco).
Agressão e omissão do Estado
Além dos assassinatos, em 2008, aconteceram graves casos de agressões aos povos indígenas em todo o país. O preconceito, a disputa por terra para o agronegócio (cana-de-açúcar, soja, eucalipto…) e hidronegócio são as causas dessas agressões, em que, algumas vezes, o Estado, por meio da polícia, é o agressor.
No sul da Bahia, entre os dias 20 e 23 de outubro, uma operação da Polícia Federal, em diversas aldeias, feriu mais de 20 pessoas do povo Tupinambá. Um helicóptero, um carro com caixões e mais de 25 viaturas foram usadas na ação.
No Maranhão, foram registrados dois assassinatos. Um deles foi de uma criança Guajajara de 6 anos que assistia TV com a família, quando o assassino passou por uma rodovia ao lado da aldeia e atirou a esmo para a casa onde a menina estava. São constantes os casos de agressão da população de Arame, Grajaú e outras cidades contra os Guajajara que vivem nessa região. Em 2008, houve uma invasão de madeireiros à terra indígena Araribóia e dois atentados a bala contra pessoas do povo Guajajara, num destes um casal ficou ferido.
Também em Roraima, os indígenas sofreram atentados, em função do acirramento da disputa pela terra indígena Raposa Serra do Sol. Em maio, empregados do arrozeiro Paulo Cesar Quartiero atiraram e lançaram bombas contra indígenas que construíam barracões dentro da terra. Na ocasião, 10 indígenas foram feridos e o líder dos arrozeiros passou alguns dias presos.
Preconceito
Além das agressões que resultam em danos físicos, o ano de 2008 ficou marcado pela intensa campanha racista contra os povos indígenas nos principais meios de comunicação do país. Os processos judiciais em torno das terras Raposa Serra do Sol (RR) e dos Pataxó Hã Hã Hãe (BA), a luta por melhoria na saúde indígena e a perspectiva de se conseguir a identificação de terras para os Guarani Kaiowá foram os assuntos usados para que o racismo tivesse voz no país.
Fonte: Marcy Picanço (CIMI)


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